A Revista Téssera, do GT “Imaginário, representações literárias e deslocamentos culturais”, está divulgando sua chamada de trabalhos para “O IMAGINÁRIO DO LABIRINTO”

16 de agosto de 2019 / Comentários desativados em A Revista Téssera, do GT “Imaginário, representações literárias e deslocamentos culturais”, está divulgando sua chamada de trabalhos para “O IMAGINÁRIO DO LABIRINTO”

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PRAZO: 30 SET 2019

A primeira associação que se costuma fazer ao labirinto é com o mito grego do Minotauro encerrado no palácio, construído por Dédalo, e vencido por Teseu com a ajuda da filha do Rei Minos. A atuação de Ariadne  poderia simbolizar a intercessão da alma, conforme sugere o verbete “Labyrinthe”, da Encyclopédie de symboles, dirigida pelo psicanalista Michel Cazenave. Esse símbolo estende-se a outros espaços intrincados, com cruzamentos de caminhos iguais, sem saída e sem rota que leve a um Centro.  Nesse caso, o percurso no Labirinto pode associar-se à trajetória da vida, que é um percurso cansativo por um labirinto sem a perspectiva de uma solução heróica, tal como sugere o poema “Laberinto” de Jorge Luis Borges, em Elogio de la sombra. O traçado dessas veredas, semelhantes às de uma Mandala, associa-se também à errância, peregrinação iniciática em busca de si mesmo ou da salvação.  O labirinto é um dos mais intrigantes símbolos do imaginário humano, sendo presença recorrente na literatura, em projetos arquitetônicos, como igrejas, palácios, jardins, e nas artes plásticas. Por expressar estados psicológicos e espirituais que se manifestam nos sonhos e nas produções artísticas, a Literatura encontrou no labirinto uma imagem princep. No âmbito da Psicologia Analítica, Carl G. Jung vê no labirinto uma imagem arcaica e arquetípica ligada ao inconsciente coletivo: percorrer o labirinto equivale a um longo e penoso processo de individuação do ser humano, com possibilidades de chegada ao centro de si mesmo. Gaston Bachelard pontua a evolução da imagem do labirinto brotando no sonho e se estendendo ao discurso sobre o sonho: “No sonho, o labirinto não é visto nem previsto, tampouco se apresenta como uma perspectiva de caminhos. É preciso vivê-lo para vê-lo. As contorsões do sonhador, seus contornos na matéria onírica deixam por rasto um labirinto. A posteriori, no sonho narrado, quando o adormecido remonta à terra dos clarividentes, quando se exprime no reino dos objetos sólidos e definidos, ele falará de caminhos complicados e de encruzilhadas. De modo geral, a psicologia do sonho se beneficiaria se distinguisse dois períodos do sonho: o sonho vivido e o sonho narrado. Compreenderíamos melhor certas funções dos mitos. Assim, se nos permitirmos jogar com as palavras, podemos dizer que o fio de Ariadne é o fio do discurso. Ele pertence ao sonho narrado. É um fio de retorno”. Estudiosos como Jung, Bachelard, Paul Ricoeur, Gilbert Durand, Karl Kerènye, Joseph Campbell, Mircea Eliade, poetas místicos, antropólogos, sociólogos, foram seduzidos pela dimensão simbólica do labirinto. Considerando a riqueza dessa imagem, a Téssera aceita submissão de textos que investiguem o tema em produções artísticas de quaisquer gêneros.

Organizadoras:
Ana Maria Lisboa de Mello (UFRJ)
Elzimar Fernanda Nunes Ribeiro (UFU)
Enivalda Nunes Freitas e Souza (UFU)

Consulte as diretrizes para o autor em: http://www.seer.ufu.br/index.php/tessera/about/submissions