https://textopoetico.emnuvens.com.br/rtp/announcement/view/56
Organizadores:
Kelcilene Grácia (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)
Samuel Carlos Melo (Universidade Estadual de Goiás)
Marcus Klaus Schäeffauer (Universidade de Hamburgo)
Com longa tradição, o poema narrativo tem nas epopeias de Homero e Virgílio seus primeiros e grandes modelos na cultura ocidental. Até a segunda metade do século XVIII, como observa João Adolfo Hansen, para compreender a epopeia em sua dimensão histórica, é preciso compreender que os códigos poéticos eram de natureza retórica, imitativa e prescritiva, distintos dos critérios expressivos e descritivos trazidos pela estética, pela crítica e pela história literária, instauradas com a revolução romântica. Nesse sentido, os seus enunciados não podem ser compreendidos como representações de coisas de fato ou de seus estados empíricos. Trata-se de enunciados pseudorreferenciais que, ao refazerem os procedimentos que os ordenam, levam o leitor a estabelecer uma “comunicação fictícia com ações fictícias ficticiamente figuradas” (Hansen, 2008, p.18).
Embora a rigidez desses códigos não tenha impedido a emergência de práticas apoiadas em outras convenções, como a balada, na Idade Média, ou o poema herói-cômico, nos séculos XVII e XVIII, que deliberadamente opera como uma espécie de deformação dos códigos épicos, é no século XIX que o poema narrativo em língua portuguesa passa por transformações mais agudas, em consequência da rejeição romântica de formas pré-estabelecidas e do interesse por uma arte ancorada na interioridade, no contexto do declínio da epopeia e da ascensão do romance. No século XX, seguiu consistente, mantendo o movimento de diálogo e ruptura com a tradição, na esteira dos processos históricos, sociais e culturais que impactaram a literatura. No século XXI, a produção de poemas narrativos continua em curso, dialogando com a tradição ao mesmo tempo em que se vale das experiências estéticas contemporâneas, incorporando linguagens híbridas, interartes e intermidiais, além de tematizar questões do presente, como identidades, deslocamentos, memórias coletivas e tensões sociais e políticas.
Diante disso, esta chamada aceitará trabalhos que discutam o poema narrativo em suas múltiplas dimensões, contemplando desde manifestações anteriores ao século XVIII, com ênfase em aspectos retóricos e poéticos, até suas reformulações posteriores, marcadas pelas transformações românticas, pelas experiências do século XX e pelas experiências contemporâneas. Interessa-se, ainda, por análises comparativas, assim como estudos que abordem as relações do poema narrativo com a cultura popular e adaptações em outras linguagens e suportes.
Data limite para submissão: 30/05/2026
Publicação: Setembro de 2026
https://textopoetico.emnuvens.com.br/rtp/announcement/view/56
