Divulgação: Nova Edição d’A Casca da Caneleira (1866)

10 de março de 2020 / Comentários desativados em Divulgação: Nova Edição d’A Casca da Caneleira (1866)

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Estamos divulgando a nova edição d’A Casca da Caneleira (steeplechase): por uma boa dúzia de “esperanças”, narrativa coletiva pioneira que, em 1866, foi escrita por onze maranhenses: Joaquim Serra, Henriques Leal, Sousândrade, Sotero dos Reis, entre outros.
Nessa terceira edição, além de atualizar o texto, seguindo as normas da língua portuguesa vigentes, acrescentei notas elucidativas e vocabulares, dados bibliográficos sobre os autores, bem como um singelo prefácio, intitulado “Por um novo lugar d’A Casca da Caneleira na história da literatura brasileira”, no qual tento contextualizar esse projeto literário colaborativo no Brasil oitocentista.

“Nestes dias sombrios, quando, no Brasil, se julga possível defender redução dos investimentos públicos em educação e cultura, vem à luz a terceira edição de A casca da caneleira, – narrativa escrita a muitas mãos no ano de 1866, – graças aos esforços de Carlos Augusto de Melo, jovem docente e pesquisador da UFU. […] A proposta de uma narrativa de autoria coletiva pressupõe a existência de um grupo de intelectuais, de formação mais ou menos sólida e uniforme, que favorecesse a convivência e a associação em projetos comuns. Mais do que isso, o caráter paródico da narrativa, divulgada inicialmente na Paraíba como folhetim d’O Publicador, resultou na imitação jocosa de clichês românticos e fórmulas já desgastadas da narrativa seriada. Procedimentos paródicos e alusões literárias indicavam, ainda, a presença de um público apto a apreciar a produção relativamente sofisticada. […] Os autores do folhetim constituíam uma nova geração literária que se formara no Maranhão, dando sequência à tradição brilhantemente iniciada por Francisco Lisboa, Sotero dos Reis, Odorico Mendes e Gonçalves Dias. Como veterano, Sotero uniu forças às de jovens como Trajano Galvão, Joaquim Serra e Sousândrade. Não se tratava de acaso, mas dos frutos de um meio intelectual consolidado que se desenvolveu atento à cultura europeia e à revelia do Rio de Janeiro, para onde se dirigiam os provincianos em busca de consagração literária. Bem procederam o CNPq e a Fapemig ao apoiar esse projeto de reedição, que, gestado no interior, contribui para a preservação da memória nacional, tão ameaçada ultimamente por incêndios e catástrofes de vária natureza.” Álvaro Santos Simões Júnior, professor na Unesp, Assis