Chamada de Trabalhos: Revista Guará

8 de setembro de 2020 / Comentários desativados em Chamada de Trabalhos: Revista Guará

Chamadas Destaques Menores

Estamos divulgando a chamada para a Revista Guará – dossiê João Cabral de Melo Neto: 100 anos de poesia.

http://seer.pucgoias.edu.br/index.php/guara/index

Inscrições abertas até 30 de setembro de 2020.

ORGANIZADORES:
Arnaldo Saraiva (Universidade do Porto – Portugal)
Maria de Fátima Gonçalves Lima (PUC Goiás)
Antônio Donizeti Cruz (UNIOESTE – Paraná)

A presente chamada do dossiê da Revista Guará, número 11, Ano 2020, homenageia o Poeta João Cabral de Melo Neto, em seu centenário que comemoramos neste corrente ano. Nascido em 9 de janeiro de 1920, no Recife, o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto emergiu na Literatura Brasileira em 1942, com a obra intitulada Pedra do Sono. Com uma obra poética vastíssima e uma atuação literária e social relevante, como diplomata, poeta, escritor, crítico e intelectual brasileiro. A criação literária é sempre o resultado do meio social, inserido num contexto histórico no qual os poetas projetam suas ideias, sentimentos e emoções. No que diz respeito à criação poética, o poema nunca está completo, dependerá sempre de um leitor para que ele seja vivenciado e completado: o leitor recria o instante, (re)vive sua experiência do real, capaz de instaurar um diálogo com o leitor e suas experiências com o cotidiano. A emoção sentida pelo poeta/escritor deve sugerir ao leitor um novo sentir dessa emoção, para que ele possa compreender o poema. A leitura de um poema apresenta-se como um processo de interação entre leitor e o poeta, ou seja, um procedimento dialógico, voltado para a produção de novos conhecimentos que armazenamos, incluindo o conhecimento linguístico, modelos cognitivos globais, conceitos, fatos generalizados e episódios cotidianos provenientes da experiência de cada indivíduo. Cumpre destacar, aqui, algumas das obras poéticas de João Cabral de Melo Neto, que apresenta uma obra vigorosa e de temáticas que se intercruzam, quer pelo enfoque do tema social, da memória, do ofício do verso, das construções/desconstruções, tais como: Pedra do sono (1942), O engenheiro (1945), O cão sem plumas (1950), O rio (1954), Quaderna (1960), Poemas escolhidos (1963), A educação pela pedra (1966), Morte e vida severina e outros poemas em voz alta (1966), Museu de tudo (1975), A escola das facas (1980), Agreste (1985), Auto do frade (1986), Crime na Calle Relator (1987), Sevilla andando (1989). Em prosa, tem-se: Juan Miró, (1952) e Considerações sobre o poeta dormindo (1941). Há que se destacar que as experiências do poeta – segundo Octavio Paz – não são feitas de ideias ou de sensações, mas de “ideias-sensações” que se manifestam no interior do poeta e são, “por natureza, evanescentes”. A linguagem poética, em um primeiro instante, assimila aquelas sensações, depois o poeta dá novos contornos, transformando-as e (re)apresentando tais imagens. O poeta repete a operação do que viu e sentiu de maneira muito mais complexa e aprimorada (PAZ, Convergências, 1991, p. 19). Paz observa que, geralmente, o poeta fala de suas coisas, de seu mundo, mesmo falando do mundo dos outros, assim declara: “O poeta não escapa à história, inclusive quando a nega ou a ignora. Suas experiências mais secretas ou pessoais se transformam em palavras sociais ou históricas. Nesse sentido, a obra poética, densa, de uma “lumino-transparências”, de João Cabral de Melo Neto (re)apresenta todo um universo transfigurado na maneira de observar e direcionar o olhar às coisas, os seres e entes.
Em edição comemorativa, a revista Guará – Linguagem e Literatura (Revista do PPG Letras- Literatura e Crítica Literária da PUC Goiás) – que tem como um dos organizadores de Arnaldo Saraiva (Universidade do Porto-PT), amigo muito próximo que com conviveu com o poeta no Porto, Portugal, quando Cabral assumiu na cidade a função de cônsul-geral do Brasil entre 1985 e 1987 (experiência registada num artigo desse número, com detalhes: “João e Marly deixariam o Porto no dia 6 de Setembro de 1987. Fui eu que os conduzi à estação de Campanhã, onde alguém nos fotografou, e onde tomaram o comboio – o trem – para Lisboa, de onde seguiriam de avião para o Rio”- DEDICA ESSE DOSSIÊ PARA REUNIR ARTIGOS SOBRE A POESIA DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO EM TODAS AS SUAS DIMENSÕES.