Lançamento- “A voz do povo: uma longa história de discriminações”.

7 de novembro de 2020 / Comentários desativados em Lançamento- “A voz do povo: uma longa história de discriminações”.

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Ao longo da História, a fala de membros das elites políticas, religiosas ou intelectuais
sempre gozou de legitimidade e foi considerada correta, elegante e racional. Sua
escuta também fora considerada adequada, pois se dizia que essas pessoas não
eram manipuladas por emoções. Ao mesmo tempo, a fala e a escuta do povo eram
menosprezadas e não possuíam legitimidade. Afirmava-se que o povo falava errado,
que seu discurso era grosseiro e que ele se deixava levar por suas paixões. Desse
modo, o povo foi durante muito tempo praticamente reduzido ao silêncio. Mesmo
quando o orador e a retórica popular passaram a se impor e a igualdade de direitos foi
proclamada, isto é, mesmo nas práticas e nas ideias progressistas, esse
preconceituoso discurso dominante continuou a deixar suas marcas.
Em A voz do povo, Carlos Piovezani convida-nos a uma fascinante aventura
intelectual: construir uma metalinguagem da emancipação popular, que desnaturalize
esse discurso de deslegitimação da fala e da escuta populares. Com base em
diferentes áreas da como a Linguística e a História das ideias linguísticas, a Análise do
discurso e a História das sensibilidades, Piovezani vai tecendo progressivamente uma
genealogia da longa história de discriminações e vai, com muita agudeza, examinando
discursos conservadores e progressistas do Brasil e do mundo, para mostrar as
mudanças na visão sobre a fala do povo, mas também a permanência de
preconceitos. Este é um livro que todas as pessoas comprometidas com a mudança
de uma sociedade tão desigual como a nossa precisam ler.

José Luiz Fiorin
Professor associado da Universidade de São Paulo (USP)
A produção controlada da fala pública é uma forma privilegiada da reprodução social.
Desde a Antiguidade, os sujeitos das classes sociais poderosas destinaram um
considerável esforço ao controle da fala pública para assegurar suas posições
dominantes. Em diferentes contextos históricos, dispositivos normativos de diversos
tipos, tais como compêndios de retórica e manuais de urbanidade, tratados de
predicação e modelos e regras para falar em público, foram forjados com vistas a
moldar os discursos e a construir padrões a partir dos quais as práticas de fala e de
escuta são avaliadas.
A legitimação de algumas dessas práticas e a determinação dos que estão em
condições de exercê-las são acompanhadas pela imposição de representações,
percepções e valorações negativas das formas de expressão e dos regimes de escuta
dos setores subalternizados. Assim, as operações de discriminação das práticas de
linguagem populares foram historicamente naturalizadas.
A partir de uma perspectiva crítica, Carlos Piovezani traça uma história das práticas e
representações da fala pública popular e da escuta popular da fala pública,
examinando rigorosamente uma ampla e variada documentação. O autor nos
apresenta o efeito absolutamente perturbador da presença do povo na arena pública,
o que explica a violência do rechaço sofrido pelas formas da eloquência popular. Após
uma genealogia dessa longa história de discriminações, Piovezani ilustra a
conservação desses preconceitos mediante uma série arguta de análises de textos da
mídia tradicional brasileira que trataram do desempenho oratório de Lula.
Ao longo de toda sua extensão, A voz do povo desmonta os mecanismos de
depreciação das discursividades populares e indica-nos a possibilidade de uma
política emancipatória. Sua aposta é bastante original e o caminho apontado, mais do
que promissor: uma “metalinguagem da emancipação popular” é a via pela qual
podemos nos encaminhar para uma sociedade realmente igualitária.

Elvira Arnoux
Professora emérita da Universidade de Buenos Aires (UBA)

Em sua condição de eminente especialista em Análise do discurso e História das
ideias linguísticas, Carlos Piovezani reconstrói uma longa história de
discriminações sofridas pela voz do povo. Assim, oferece-nos instrumentos
essenciais para que possamos mais bem compreender nossas sociedades desiguais e
os mecanismos de dominação que elas engendram e reproduzem.

Marc Angenot (Universidade McGill / Sociedade Real do Canadá)
Em A voz do povo, Carlos Piovezani constrói uma história das práticas e
representações da fala pública popular e da escuta popular da fala pública,
examinando rigorosamente uma ampla e variada documentação. Sua aposta é
bastante original e o caminho apontado, mais do que promissor: uma metalinguagem
da emancipação popular é a via pela qual podemos nos reencaminhar para uma
sociedade realmente justa e igualitária.

Elvira Arnoux (Universidade de Buenos Aires)

Esta obra de Carlos Piovezani é de uma enorme atualidade política, histórica e teórica.
Além de ser um precioso esclarecimento sobre as imposturas populistas, ela nos
mostra como a fala popular foi objeto de insistentes discriminações ao longo da
história. No Brasil e no mundo, é mais do que urgente que escutemos a voz do povo.
É mais do que urgente que esta voz adquira toda sua legitimidade. Para isso, a leitura
deste livro é simplesmente fundamental.

Jean-Jacques Courtine (Universidade de Paris /Sorbonne Nouvelle)

Carlos Piovezani convida-nos a uma fascinante aventura intelectual em A voz do
povo: a compreensão e a desconstrução dos discursos que concorrem para produzir a
deslegitimação da fala e da escuta populares. Este é um livro que todas as pessoas
comprometidas com a mudança de uma sociedade tão desigual como a nossa
precisam ler.

José Luiz Fiorin (Universidade de São Paulo)