Período UFSC: 26-30 de agosto 2019 – ppglitufsc@gmail.com; patriciapeterle@gmail.com
Período USP: primeira semana de setembro 2019 – dlm@usp.br; luciawataghin@gmail.com
Todas as aulas terão Trad. Simultânea com Rosangela Brischi e Paolo Pani
www.neclit.ufsc.br
Programa: Neste ciclo de aulas pretende-se abordar, examinando alguns textos poéticos e narrativos, um ponto crucial da reflexão sobre a linguagem, resumível na questão: “Gramática e língua coincidem? Ou há fenômenos que escapam dessa equivalência presumida e totalizante?”. Para tal fim, após propor as definições mais usuais de “gramática”, serão pontuados e problematizados aspectos verbais que parecem fugir de um rígido enquadramento gramatical, como onomatopeias, interjeições, sinais discursivos, reticências, elementos dêiticos, etnônimos, episódios do assim chamado “discurso interior” – verdadeiros casos de texto agramatical – e o fenômeno singular de “gramáticas em conflito”, representado pela tradução poética. Na convicção de que o nexo entre marginalidade e literatura não é um aspecto redutível unicamente à dimensão linguística, será tratado, finalmente, o papel da personagem menor no romance, considerado como uma espécie de interjeição no tecido, diegético, “lógico” e, logo, gramatical da narração.
Prof. Enrico Testa – Prof. Titular de História da Língua Italiana. Seus interesses de pesquisa são: a poesia do século XX em seus aspectos textuais e antropológicos, a narrativa e estratégias da “simplicidade”. Possui livros e ensaios dedicados ao estudo do sujeito na poesia, G. Caproni, E. Montale, E. Sanguineti. Tradutor de Philip Larkin. Como poeta publicou: Le faticose attese (1988), In controtempo (1994), La sostituzione (2001), Pasqua di neve(2008), Ablativo (2013), Cairn (2018).
Aula 1: Toda regra tem suas exceções
O que é a gramática? Etimologia e história do termo. Especificidades da gramática do italiano. Gramática de frase e gramática do texto. Alguns primeiros fenômenos fundadores da linguagem e da textualidade, mas laterais à gramática como código: onomatopeias, interjeições e sinais discursivos. Leitura e comentário de Dialogo, de Giovanni Pascoli (de Myricae), Lamento I e III de Giorgio Caproni (de A passagem de Enéas).
Aula 2: A palavra entre contexto e silêncio
Análise da ancoragem situacional do discurso (a dêixis), do uso depreciativo e ideológico da categoria linguística dos etnônimos e, no polo oposto, do significado do silêncio e do gênero específico do “discurso interior” ou endofasia. Exemplos da língua comum e jornalística. Leitura e comentário de trechos de Narratori delle pianure [Narradores das planícies] e Quattro novelle sulle apparenze [Quatro contos sobre aparências], de Gianni Celati e de O jogo do reverso, de Antonio Tabucchi. Análise de La piccola cordigliera [A pequena cordilheira] e Il vetrone [A lâmina de gelo], de Giorgio Caproni (de Il Conte di Kevenhüller [O conde de Kevenhüller]e Il muro della terra [O muro da terra]). Exemplos de Diario, de Jacopo da Pontormo.
Aula 3: A gramática desengonçada e as gramáticas no espelho
Leitura e comentário de textos “desgramaticados” de duas semicoletâneas: uma mística do século XVII (S.Veronica Giuliani, Diario, 17-18 de janeiro de 697) e um pícaro emiliano do século XX (P. Ghizzardi, Mi richordo anchora [Ainda me lembro]). E, no polo oposto de complexidade, o caso da translação da palavra poética de uma língua e de um sistema de regras para outra língua e suas regras. Exemplos de tradução poética retirados do Quaderno di traduzioni [Caderno de traduções], de Eugenio Montale.
Aula 4: O personagem no romance
Premissa à marginalidade narrativa: uma tentativa de distinção entre dois grandes tipos de personagem de romance, com exemplos de textos italianos e estrangeiros.
Aula 5: Quase uma gralha ou um erro: o personagem menor
Qual é a função dos personagens que aparecem de forma elíptica no desenvolvimento da trama? Algumas vezes parecem enquadráveis no estatuto do grito, outras vezes no estatuto da pausa de silêncio, do comentário à margem ou da exclamação. Por meio de uma série de casos tentaremos identificar alguns traços constantes e de união.
Agamben. Il linguaggio e la morte, Torino, Einaudi, 1982.
Agamben. Categorie italiane. Roma-Bari: Laterza, 1996.
Agamben. Infanzia e storia. Torino, Einaudi, 1978.
Agamben, Pascoli e il pensiero della voce. Prefazione a G. Pascoli, Il fanciullino, Feltrinelli, Milano 1982, pp. 7-21.
Barthes, Perché amo Benveniste; La divisione dei linguaggi, in Id., Il brusio della lingua. Saggi critici IV, Einaudi, Torino 1988, pp. 173-177; 99-111.
Bazzanella, Segnali discorsivi, in Enciclopedia dell’italiano, cit., pp. 1303-1305*
Bazzanella, Linguistica e pragmatica del linguaggio: un’introduzione, Laterza, Roma-Bari 2009.
Blanchot. Il libro a venire, Torino, Einaudi, 1969.
G.R. Cardona, Introduzione all’etnolinguistica, Torino, Utet 2006, pp. 183-202.
G.R. Cardona, Testo interiore, testo orale, testo scritto; Linguaggio, pensiero e razionalità; Modalità linguistiche della preghiera interiore, in G.R. Cardona, I linguaggi del sapere, a cura di C. Bologna, Laterza, Roma-Bari 2006, pp. 333-344; 355-361; 362-367.
D’Achille, L’italiano dei semicolti, in Storia della lingua italiana, a cura di L. Serianni e P. Trifone, vol. III, Einaudi, Torino 1994, pp. 41-79.
Cignetti, Interiezione, in Enciclopedia dell’italiano, cit., pp. 671-674*
Mortara Garavelli, Manuale di retorica, Bompiani, Milano 1997, pp. 253-254 e 319-320.
Foucault. Il pensiero del fuori. SE. Milano, 1998.
Garroni, L’indeterminatezza semantica: una questione liminare, in Ai limiti del linguaggio, a cura di F. Albano Leoni e altri, Laterza, Roma-Bari 1998, pp. 49-78.
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Testa, Eroi e figuranti. Il personaggio nel romanzo, Einaudi, Torino 2009.
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