Cronotopias 1 da intimidade em diversos corpora e suportes: um tributo a Leonor
Arfuch
Apresentação: biografias, autobiografias, cartas, diários íntimos, confissões, romances de
formação, formas de expressão do íntimo surgidas no século XVIII a partir da ascensão do
homem burguês e de sua visão de mundo; ao longo dos séculos, essas formas foram se
ampliando, a partir de novas configurações genéricas e suportes; sobretudo a partir dos
anos 1980; assim sendo, tanto no âmbito da produção cultural literária quanto nas diversas
mídias e também nas Ciências Humanas, ocorreu um boom do biográfico: a entrevista
biográfica usada nos programas de entretenimento e também nas pesquisas acadêmicas,
os talk e os reality shows, os docudramas, as instalações artísticas tematizando percursos
de vida, os diversos gêneros digitais, tais como o os blogs, as redes sociais, os aplicativos
de relacionamento, todos essa diversidade genéricas constitui o que Arfuch (2010; 2013)
denomina de espaço biográfico contemporâneo. Segundo a autora, esse espaço sinaliza
um sintoma da subjetividade contemporânea, caracterizada por uma indecibilidade entre o
privado e o público, por mesclas, pela intrusão do privado, do íntimo no público e vice
versa, pelo desejo de exposição da intimidade, pela expressão da afetividade, tanto de
celebridades quanto de anônimos. Arfuch (2013) amplia ainda mais as textualidades que
podem pertencer a espaço biográfico, tais como espaços físicos, como a casa da primeira
infância, a cidade, que sinalizam uma poética do espaço; além de filmes (auto)biográficos,
instalações artísticas, objetos, símbolos que pessoas migrantes usam para montar um
espaço ou um altar no qual eles possam ter lembranças de suas terras natais, entre tantas
outras possibilidade de expressão do íntimo. Arfuch (2005) e Arfuch (2010; 2013) a partir
de uma ancoragem nos estudos bakhtinianos sobre o dialogismo, na Teoria da
Enunciação e nos estudos derridianos, para citar somente alguns, mostra, assim, as
diversas possibilidades de expressão do eu a partir de diversas cronotopias. Os estudos
da pesquisadora argentina contribuem para uma ampliação do entendimento do fenômeno
dos gêneros (auto)biográficos; uma empresa teórica que emergiu do Sul-Global e que tem
sido referência de inúmeras pesquisas em diversas áreas das Ciências Humanas, tais
como os Estudos Literários, os Estudos da Comunicação e da Análise do Discurso, para
citar somente algumas. Nesse sentido, esse número temático da revista tem como objetivo
prestar um tributo a essa grande pesquisadora e aceita trabalhos que tenham como
objetivo refletir sobre as diversas expressões da intimidade na contemporaneidade e na
História, a partir de análises de textos (auto)biográficos em diversos corpora e suportes.
As propostas devem ser submetidas diretamente no site da revista Glauks:
https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks
Por favor, antes de submeter, cheque as normas
em: https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/information/authors
Para mais informações: https://www.revistaglauks.ufv.br/Glauks/announcement/view/26
