
Lexicografia e Inteligência Artificial
Organizadores: Claudia Zavaglia (UNESP), Renato Rodrigues-Pereira (UFMS), Fábio Henrique de Carvalho Bertonha (UNESP)
A Lexicografia tem sido estudada prática e teoricamente há muitos anos e tem se firmado cada vez mais como Ciência consistente e crítica, com objeto de estudo, princípios teóricos e metodológicos próprios, conferindo-lhe um grau de autonomia científica. Assim como outras ciências do léxico, a exemplo da Lexicologia, da Terminologia e da Onomástica, ela possui um caráter interdisciplinar, à medida que, a depender dos objetivos estabelecidos para a investigação ou o tipo de dicionário que se pretende, o pesquisador precisa buscar epistemologias de outras áreas do conhecimento. Nesse contexto, movidos por um cenário em que a Inteligência Artificial (IA) parece predominar de alguma forma todas as áreas do conhecimento, a Lexicografia parece estar em discussão. Questiona-se, por exemplo, se os dicionários continuarão a ser idealizados, elaborados e presentes em nossas vidas, uma vez que o “significado” de uma palavra é facilmente detectado em qualquer motor de busca na Internet. Lexicógrafos, desde o advento da Linguística de Corpus, empreitam importantes reflexões teóricas e metodológicas sobre como a tecnologia pode ajudá-los em sua tarefa, hercúlea, desde sempre, de repertoriar as palavras, defini-las, contextualizá-las e armazená-las em suportes impressos ou digitais. Interrogam-se ainda se seu papel será substituído por uma máquina, como parece estar acontecendo, há anos com algumas profissões, como tradutores, revisores e professores. Com efeito, como se percebe em diversos contextos, a IA tem influenciado diretamente o fazer lexicográfico, a partir do momento em que lexicógrafos têm se deparado com a possibilidade de usar a IA em diversos momentos na elaboração de repertórios lexicográficos. Com isso, dicionários passam a ter projetos editoriais mais requintados na medida em que podem utilizar recursos tecnológicos da IA, com propostas mais arrojadas e modernas. Nesse cenário, no entanto, lexicógrafos podem passar a ter suas funções redefinidas e redirecionadas para atividades mais técnicas e estruturais, o que tem gerado muitas reflexões. Considerando, portanto, o impacto que IA tem gerado em vários contextos da sociedade, a busca por epistemologias dessa área e suas contribuições para a Lexicografia pode ser de grande valia em várias atividades técnicas e científicas da sociedade. Instigados por essa realidade, propomos rever, analisar e debater os novos papeis da Lexicografia e dos lexicográficos na era da IA. Nesse sentido, buscam-se trabalhos enquadrados sob os mais diferentes vieses teórico-metodológicos, incluindo abordagens interdisciplinares. Para tanto, aceitam-se textos que versem sobre os seguintes tópicos:
- Questões teóricas e práticas da Lexicografia na era da IA;
- Questões teóricas e práticas da Terminografia na era da IA;
- Questões teóricas e práticas da Fraseografia na era da IA;
- Questões teóricas e práticas no tratamento lexicográfico de dados onomásticos na era da IA;
- Tratamento lexicográfico da Libras na era da IA;
- Pedagogia do léxico, dicionários e IA;
- Lexicógrafo e IA.
(link para submissões: https://seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/about/submissions)
