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Livro “O português afro-brasileiro revistado”

Segue o texto da orelha do livro:

Quando se inicia a colonização portuguesa, no século XVI, eram faladas no território brasileiro mais de mil línguas indígenas. Entre 1550 e 1850, o tráfico negreiro trouxe para o Brasil mais de quatro milhões de africanos, que falavam cerca de 200 línguas diferentes. Assim, nos primeiros séculos de sua formação, a sociedade brasileira era um mosaico linguístico, já que só um terço da sua população era composto por portugueses e brasileiros brancos, falantes nativos do português. Dois terços da população da Colônia e do Império eram compostos por africanos, indígenas e seus descendentes, que falavam línguas gerais indígenas, línguas francas africanas e variedades muito alteradas de português, como primeira e segunda língua, sendo possível até a formação localizada e efêmera de pidgins e crioulos. Porém, hoje 98% da população brasileira é de falante nativos do português, em sua enorme maioria monolíngues. Portanto, a história sociolinguística do Brasil nada mais foi do que um violento processo de homogeneização linguística. E uma adequada compreensão dessa história contribui para iluminar a própria compreensão da sociedade brasileira, sobretudo do racismo estrutural que a caracteriza, do qual o racismo linguístico é um dos seus elementos integrantes e estruturantes.

A fala de comunidades rurais afro-brasileiras, remanescentes de antigos quilombos, constitui, assim, verdadeiros sítios arqueológicos da história linguística do Brasil, revelando as marcas mais notáveis que a imposição do português aos africanos e seus descendentes produziu na fala popular brasileira na atualidade. E a publicação do livro O Português Afro-Brasileiro (EDUFBA, 2009), foi um marco nesse resgate histórico da voz dos povos subjugados e excluídos na historiografia linguística tradicional.

Decorridos mais de quinze anos, O Português Afro-Brasileiro Revisitado traz a público um novo conjunto de análises que revelam novos aspectos da pluralidade étnica da história sociolinguística do Brasil. Para além dos novos achados empíricos, o livro traz novas teorias e novas comparações com línguas crioulas e variedades do português da África, fortalecendo essa perspectiva de fazer uma história linguística mais inclusiva e pluralista. Trata-se uma significativa contribuição para o combate à discriminação da fala popular e ao racismo linguístico e para a construção de um ensino que contemple a diversidade étnica e cultural do Brasil.

O livro pode ser adquirido pelo WhatsApp, junto a editora, em: https://edufba.ufba.br/livros-publicados/catalogo/o-portugues-afro-brasileiro-revisitado

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