Chamada a submissão de artigo na Revista Jangada, n. 20

10 de junho de 2022 / Comentários desativados em Chamada a submissão de artigo na Revista Jangada, n. 20

Chamadas

Dossiê: Literatura de cordel: novos olhares, novas abordagens

Prazo para a submissão de artigos: 30 de outubro de 2022

Data prevista de publicação: dezembro de 2022

As primeiras folhas volantes surgiram na Europa por volta do século XVI, e se espalharam por toda a Península Ibérica, contribuindo enormemente para a difusão de notícias maravilhosas sobre o Novo Mundo entre os europeus, os quais, seduzidos por tais notícias, alçaram vozes e velas em busca da tão decantada Cocanha dos fabliaux francês do século XIII. Trouxeram na bagagem histórias de fadas, príncipes, reis e rainhas; de valentes e paladinos; de mulheres castas e constantes; de heróis astutos e de seres extraordinários que logo se adaptariam ao calor dos trópicos e à lira dos nossos mais renomados poetas e cantadores, ajudando a povoar os sonhos e a aguçar a astúcia daqueles que precisavam driblar as adversidades socioambientais e as hostilidades do meio. De lá para cá, o cordel quase sucumbiu à difusão massiva dois meios de comunicação, mas resistiu bravamente ao propor temas mais universais e de interesse da imensa maioria da população brasileira. Por conta dessa diversidade temática, poética e expressiva, testemunhou, narrou e registrou vários momentos de nossa história. Se no princípio apenas os homens dominavam a arte de compor e cantar em versos, aos poucos as mulheres também foram ocupando o palco, de modo que hoje elas cantam suas demandas à maneira das tradicionais sextilhas e do repente. Atualmente os(as) poetas ajustam à sua métrica, rima e oração, temas de interesse nacional e internacional; denunciam os pontos falsos e as contradições do sistema; questionam decisões e zombam da hipocrisia sem, contudo, perder aquela aura de lúdico e maravilhoso que consagrou o cordel entre nós. Escrito e impresso, desde o final do século XIX, o cordel continuou mantendo forte ligação com a voz, a cultura de feiras e praças, o feérico e o riso dos heróis ladinos, o sentimento de indignação dos menos favorecidos e a exaltação de lendários valentes. Essa feição múltipla da literatura de cordel permitiu que posturas equivocadas a definissem como uma literatura de “alienação” e de “evasão”. Com Roger Chartier (2014) e tantos outros pesquisadores, a literatura de cordel passou a ser problematizada em seu contexto de produção, materialidade e circulação, e com base na relação dos textos com o cotidiano de seus leitores/ouvintes; por sua vez, Paul Zumthor (1991) chamou a atenção para a relação do cordel com a oralidade dos cantadores, a performance do corpo no ato de cantar a poesia e dos griôs africanos; pesquisadores mais recentes propõem leituras dos folhetos populares à luz de novas abordagens epistemológicas e práticas culturais.  Em virtude da resiliência que lhe é característica, e pela capacidade de sobrevivência de atualização e ressignificação, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o cordel brasileiro, no dia 19 de setembro de 2018, como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Fato que só reforça sua dimensão cultural, literária, poética, estética, comunicativa, afetiva, criativa e social.

Neste dossiê da Revista Jangada, propomo-nos a acolher artigos concernentes aos mais variados estudos sobre a literatura de cordel e suas práticas culturais, de modo que, ao submeter sua colaboração, com vistas a participar do dossiê, recomenda-se que o(a) autor(a) considere um dos eixos seguintes:

Literatura de cordel e oralidade;
Literatura de cordel e gênero;
Literatura de cordel e formação de leitor;
Literatura de cordel e História;
Literatura de cordel e Ensino;
Literatura de cordel e Relações Étnico-raciais
Literatura de cordel e Tempo Presente
O estudo do cordel à luz de novas abordagens epistemológicas.
Serão aceitos artigos redigidos em português, espanhol, francês e inglês. Os textos deverão ser submetidos até 30 de outubro de 2022 pelo sistema da Revista Jangada: https://www.revistajangada.ufv.br/Jangada/index

Todos os artigos deverão seguir as diretrizes de formatação e extensão da revista disponíveis no endereço:

https://www.revistajangada.ufv.br/Jangada/about/submissions

Qualquer dúvida, não hesite em escrever para: revistajangada@ufv.br